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03/04/2012 - Instituto Agropolos estuda expansão do projeto Hidroponia Social



O projeto Hidroponia Social, realizado desde 2010 na Escola de Ensino Fundamental Neusa de Freitas, no Eusébio, recebeu um novo investimento do Banco do Nordeste (BNB) e terá o número de estufas ampliado na horta. A estrutura já está sendo montada e deve ficar pronta em cerca de 15 dias. Agora, as aulas teóricas e práticas de cultivo, que se restringiam aos alunos daquela instituição, serão oferecidas aos demais estudantes das 36 escolas da cidade.

O local, que dispõe de um espaço de 144m², passará a ter 720m² com as duas novas estufas. Atualmente, a horta hidropônica funciona com o sistema Nutrient Film Technique (NFT), produção suspensa, com utilização circular de água. São bancadas dispostas paralelamente com canos, onde as plantas são colocadas em uma esponja especial. A água circula do tanque para os canos, sempre deixando as plantas irrigadas.

Com o novo investimento, de acordo com o coordenador do projeto, Gleison Feitosa, a horta contará com dois novos processos de processos de produção. O Floating Bed System (FBS), em que as plantas são ancoradas numa plataforma flutuante na superfície da solução de nutrientes, e o Sistema Substrato, em que as espécies são colocadas em fibras de coco, dentro de vasos e calhas, com todos os elementos nutritivos essenciais ao desenvolvimento do vegetal.

Capacidade

Hoje, explica Gleison Feitosa, a capacidade de colheita simultânea da horta por meio do NFT é de 2 mil plantas por mês. São, da germinação à colheita, 38 dias de cultivo. "Com os novos sistemas, a expectativa é de que 7 mil hortaliças sejam colhidas todos os meses e distribuídas para as escolas", destaca o coordenador do projeto Hidroponia Social.

Na horta, há cultivo de rúcula, salsão, alface, tomate cereja e almeirão, que, após a colheita, são enviados as 26 escolas do Município. Mas, com a ampliação do espaço e, consequentemente, da produção, a expectativa é de que, em breve, os outros dez colégios também sejam beneficiados com as hortaliças. "Agora, vamos ter a cultura de berinjela, pepino e vamos tentar produzir morango, além de cultivar orquídeas", adianta Gleison Feitosa.

A secretária de Educação de Eusébio, Marta Cordeiro, explica que, na Escola Neusa de Freitas, todos os alunos estão envolvidos no projeto, participando das oficinas na horta hidropônica. "A refeição dos estudantes nas escolas do Eusébio foi enriquecida significativamente, passou a ter um valor nutritivo muito grande. É preciso destacar que as hortaliças produzidas por meio da hidroponia são mais saudáveis, porque não têm contato com o solo", ressalta a secretária. Segundo ela, além do cultivo, os estudantes aprendem a fazer receitas com os vegetais.

Marta Cordeiro lembra do convênio existente entre a Prefeitura de Eusébio e o Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal do Ceará (UFC), que possibilita a colaboração técnico-científica na área de horticultura, mediante produção e manejo das hortaliças. Os acadêmicos dos cursos de Agronomia, Engenharia de Alimentos e Economia Doméstica têm oportunidade de estudo, atividades extraclasse e estágio extracurricular.

Na semana passada, o presidente do Instituto Agropolos do Ceará, Celso Crisóstomo, se reuniu com Gleison Feitosa e com representantes das secretarias do Desenvolvimento Agrário do Estado (SDA) e de Desenvolvimento Econômico de Fortaleza no sentido firmar convênio para a construção de 60 hortas na Capital e Região Metropolitana até o fim do ano. A previsão é de que parte delas sejam hidropônicas, localizadas próximas a escolas para que, assim como em Eusébio, o aspecto pedagógico seja trabalhado.

"Na minha opinião, é importante que tenhamos hortas desse tipo também em outros Municípios. Se depender do Instituto Agropolos, teremos hortas hidropônicas para trabalhar diretamente com a escolas", destaca Celso Crisóstomo.

FIQUE POR DENTRO
Técnica vem se aperfeiçoando rapidamente

O termo hidroponia vem da junção das palavras gregas "hidro+ponos", que significa trabalho na água. Mas a palavra serve para todos os tipos de cultivo sem solo, feito só em água com nutrientes e usando substratos como areia, brita e argila expandida. A hidroponia começou com a ser descoberta das exigências nutricionais das plantas. Primeiro, os cientistas descobriram sua composição química, e viram que era possível cultivar as plantas só no meio líquido, contendo os elementos químicos encontrados nos tecidos dos vegetais. Na Segunda Guerra Mundial, a hidroponia foi utilizada para produção de hortaliças em ilhas do Pacífico (Ilhas Marianas), fornecendo verduras frescas para as tropas americanas. A criação da técnica do "Fluxo Laminar de Nutrientes" (NFT) pelo americano Halen Cooper, na década de 1960, deu grande impulso ao desenvolvimento da hidroponia comercial. Hoje, a hidroponia está se aperfeiçoando rapidamente graças aos avanços das pesquisas sobre meios e técnicas de cultivo.

Fonte: Jornal Diário do Nordeste, caderno Regional



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